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Velho Tema VI

"Lembra!” diz-me o passado. “Eu sou a aurora E a primavera, o olhar que se enamora De quanto vê pelo caminho em flor; Para o teu coração cansado e triste É recordar-me — o único bem que existe... Eu sou a mocidade, eu sou o amor.” “Vive!” diz-me o presente. “Alma suicida, Louca, não peças à árvore da vida Mais que os amargos frutos que ela tem; Deixa a saudade e foge da esperança, Faze do pouco que teu braço alcança O teu mesquinho, o teu único bem.” “Sonha!” diz-me o futuro: “O sonho é tudo, Eu sobre as tuas pálpebras sacudo A poeira da ilusão! ... sonha e bendiz! Eu sou o único bem porque te engano, E o desgraçado coração humano Só com o que não possui é que é feliz.” Eu ouço os três, e calo-me: desisto De quanto me prometem, porque nisto Todos se enganam, todos, menos eu: Beijo dos lábios da mulher amada, O único bem és tu! Não há mais nada... E tu és de outro, e nunca serás meu!" Vicente de Carvalho

Nostalgia do Presente

"Naquele preciso momento o homem disse: «O que eu daria pela felicidade de estar ao teu lado na Islândia sob o grande dia imóvel e de repartir o agora como se reparte a música ou o sabor de um fruto.» Naquele preciso momento o homem estava junto dela na Islândia." BORGES, Jorge Luis. A Cifra . 1981.