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Trecho de "A Balada do Cárcere de Reading"

"Às seis horas limpamos nossas celas, Às sete tudo é espera... E o vibrar e o voltear de uma asa poderosa Sobre o cárcere impera, Pois o Senhor da Morte - o bafo frio e forte - Para matar viera. Em real pompa não passou, nem cavalgou Corcel branco-lunar. O alçapão corredio e três jardas de fio Bastam para enforcar: Co'a corda da vergonha veio a ação medonha O Arauto praticar. Éramos como um bando em pântano tateando Na suja escuridão: Não ousávamos dar vazão à nossa angústia, Dizer uma oração; Algo morrera em nós, e o que morrera fora A Esperança... a Ilusão. Pois a cruel Justiça do Homem Segue avante, Vai firme, não trepida: Tanto ela mata quanto mata o forte Em sua mortal corrida... É com tacão de ferro que ela mata o forte A hedionda parricida! Grossa de sede a língua, à espera das oito horas Sentamo-nos à toa, Porque o bater das oito é o sino do Destino Que nos amaldiçoa E tem a seu serviço um laço corrediço Para a alma ruim e a boa. Fic...